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Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos Crise em Darfur

Como resultado dessa parceria, milhões de usuários da internet em todo o mundo poderão ampliar e ver imagens de satélite das aldeias, mesquitas e escolas que foram queimadas. Ninguém que vê essas imagens pode duvidar que a única palavra para descrever o que está acontecendo em Darfur é genocídio — e que temos a obrigação moral de deter isso. - Presidente George W. Bush em discurso no Museu em 18 de abril de 2007

Introdução

Darfur

'Crise em Darfur' no Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos;
cada chama indica uma aldeia prejudicada ou destruída.
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Crise em Darfur , um projeto da Iniciativa de Mapeamento de Prevenção ao Genocídio do Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos, é um esforço inédito do Museu e do Google para esclarecer o genocídio em Darfur reunindo imagens de satélite e camadas de dados e multimídia no Google Earth. Esta parceria usará recursos visuais visando atrair a atenção geral para as ameaças de genocídio em todo o mundo, e promete transformar o modo de compartilhar e apresentar as informações sobre atrocidades coletivas no futuro.

Nos últimos quatro anos, mais de 300 mil pessoas foram mortas e 2,5 milhões ficaram sem teto na região de Darfur, oeste do Sudão. Em Darfur, mais de 1600 aldeias foram prejudicadas ou totalmente destruídas. Enquanto as vidas dessas pessoas desalojadas ainda é um problema pendente, a violência continua a afetar as aldeias que restam em Darfur e os acampamentos de refugiados que se espalham em toda a região e no vizinho Chade.

Tipicamente, aqueles que praticam genocídio agem segundo argumentos contraditórios e ardilosos. O governo sudanês alega que menos de 9 mil civis foram mortos na "guerra civil" de Darfur. Afirmações como essa são facilmente refutadas com a possibilidade de qualquer cidadão no mundo poder visualizar imagens de satélite em alta resolução e outras evidências graves às quais antes poucos tinham acesso. Agora, qualquer usuário do Google Earth pode aplicar o zoom em Darfur e ver a escala da destruição, aldeia por aldeia.

Por que o Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos criou Crise em Darfur?

Um memorial que não se responsabiliza pelo futuro estaria desrespeitando a memória do passado. - Elie Wiesel, vencedor do Nobel da Paz e Presidente Fundador do USHMM (Museu Memorial do Holocausto dos EUA).

O Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos é um monumento vivo, dedicado a homenagear as vítimas do Holocausto. Para cumprir essa missão, foi adotado um método fundamental: confrontar as ameaças de genocídio e os atuais crimes contra a humanidade.

Quando o Google Earth foi lançado em junho de 2005, a Academia de Prevenção ao Genocídio do Museu investigava os meios de fazer com que profissionais da política internacional compartilhassem melhor as informações sobre emergentes ameaças de genocídio e atrocidades coletivas. O Museu reconheceu o potencial do Google Earth para organizar e apresentar informações de modo convincente e oportuno, bem como para funcionar como veículo eficiente para promover ações solidárias e instrutivas sobre o genocídio e outros crimes contra a humanidade.

O desenvolvimento começou de fato quando se formou uma organização voluntária internacional, o projeto BrightEarth , para investigar meios de fazer com que uma nova geração de ferramentas de mapeamento, incluindo o Google Earth, munisse os cidadãos em todo o mundo com o poder de defender populações vulneráveis. Participaram funcionários do museu e também Declan Butler, veterano repórter científico da Nature Magazine, Stefan Geens, que gerencia o famoso blog www.ogleearth.com, e os profissionais de GIS (Sistema de informação geográfica) Mikel Maron, Timothy Caro-Bruce e Brian Timoney.

Juntando tudo: imagens, mapas e multimídia

Darfur

Uma das mais de 1600 aldeias prejudicadas ou destruídas em Darfur;
mais de 100 mil casas foram destruídas.
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Ao acionar agências das Nações Unidas, o Departamento de Estado dos EUA e ONGs, o Museu obteve dados que estavam espalhados e em formatos diversos, incluindo mapas em papel, tabelas e texto.

Funcionários do Museu e voluntários do BrightEarth trabalharam por mais de um ano para reunir dados sobre destruição de aldeias, locais de acampamento de refugiados e acesso humanitário, entre outros, bem como para criar o esboço das primeiras camadas KML no início de 2006. Foi a primeira vez que se reuniu todo o conjunto de imagens, dados e multimídia no mesmo lugar.

Mas sem as imagens em alta resolução, a apresentação dos dados no Google Earth não passavam de versões melhoradas dos mapas tradicionais. O Google concordou em priorizar a aquisição de imagens de Darfur e, entre o outono de 2006 e a primavera de 2007, a equipe do Google Earth atualizou grandes trechos de Darfur com imagens em alta resolução.

Era quase impossível localizar as aldeias afetadas somente com as imagens. E somente com os dados, o usuário tinha ampla perspectiva dos ataques em Darfur, mas não percebia o impacto local em cada aldeia e povoado. Quando os dois conjuntos de dados foram combinados, ambos tornaram-se mais eficientes.

As imagens dos restos das aldeias queimadas serviram de prova irrefutável da escala de destruição e suas conseqüências, com centenas de milhares de barracas em campos de refugiados em toda a região. Ao reunir fotos georreferenciadas e vídeos de funcionários do Museu e consagrados fotógrafos internacionais, assim como depoimentos da Anistia Internacional, os relatos do que aconteceu nessas aldeias ficaram mais pessoais e cativantes.

Crise em Darfur é a primeira tentativa do museu em prol da humanização das vítimas do genocídio através do Google Earth. Agora o Museu está desenvolvendo maneiras inovadoras de atualizar as camadas para melhor ajudar os sobreviventes, os socorristas e aqueles que se encontram sob ameaça de genocídio em Darfur e em todo o mundo, para que possam compartilhar seus relatos.

Impacto da Crise em Darfur

Quando foi confirmado que o Google Earth apresentaria as camadas do Museu como conteúdo padrão a todos os usuários do programa, ficou evidente que esse projeto teria um grande impacto em todo o mundo.

Crise em Darfur foi lançado em 10 de abril de 2007. O lançamento contou com a cobertura da mídia internacional, representada por mais de 500 organismos de imprensa somente de língua inglesa e muitos outros idiomas, como holandês e árabe. Centenas de blogs divulgaram a notícia, e agora, professores, trabalhadores de ajuda humanitária e ativistas estão usando o Google Earth regularmente para mostrar a verdadeira face do genocídio. Mais de um milhão de pessoas fizeram download de camadas extras do site do Museu, e mais de 10 mil visitaram a página "What Can I Do?" (Como posso ajudar?) para saber como podem contribuir.

Dois meses após o lançamento, o site do Museu ainda está com tráfego 50% maior que antes. O projeto expandiu significativamente o alcance global do site — o percentual de visitantes de fora dos EUA saltou de 25% para 46% no último ano. Somente o número de incidências do Sudão aumentou mais de mil por cento.

Essa reação indica que os usuários da web em todo o mundo querem mais aplicações tecnológicas que os conecte aos acontecimentos no mundo de forma mais significativa e pessoal. Embora os usuários do Google Earth ainda curtam olhar suas casas, procurar restaurantes e visualizar cidades em 3D, agora eles também podem compreender o maior potencial de um "globo virtual" ao ver por conta própria o que está acontecendo em Darfur.

Oportunidades futuras

Darfur

Filhos de Darfur
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O Google Earth começou a ser usado por agências das Nações Unidas com o objetivo de organizar e trocar informações cruciais em campo e na sede, bem como para algumas ONGs. Mas o uso do Google Earth como ferramenta para impedir genocídios ainda é limitado.

O Google Earth, combinado aos novos métodos participativos da Web 2.0, é capaz de ajudar a transformar a resposta operacional e a antecipação de avisos proporcionando meios colaborativos e dinâmicos para que as comunidades se reúnam, troquem informações cruciais e ajudem os cidadãos a enxergar o mundo sob um novo prisma.

Com o acesso rápido a imagens de satélite, cidadãos em todo o mundo podem usar o Google Earth no monitoramento de áreas em risco de genocídio e para aumentar a competência das organizações na reação às ameaças. A expansão do uso de imagens remotas pode fazer com que os potenciais perpetradores compreendam que suas ações contra civis não passarão despercebidas pela comunidade internacional. Por fim, tais esforços também podem contribuir para a criação de um arquivo público confiável e globalmente acessível que mostre os culpados de crimes contra a humanidade, genocídios e outros abusos.

Ninguém mais pode dizer que não sabe. Esta ferramenta vai iluminar um canto muito obscuro da Terra, como uma sentinela que indiretamente ajudará a proteger as vítimas. Comparando a Davi e Golias, diríamos que o Google Earth acaba de dar ao Davi uma pedra para seu estilingue. - John Prendergast, Grupo de Crise Internacional -- Washington Post, 14 de abril de 2007

Autor

Michael Graham, Coordenador da Iniciativa de Mapeamento de Prevenção ao Genocídio, USHMM

Informações de contato

Michael Graham, Coordenador da Iniciativa de Mapeamento de Prevenção ao Genocídio, gpmi@ushmm.org
Consultas da mídia: Andrew Hollinger, ahollinger@ushmm.org